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Arrogantes, prepotentes, antipáticas, ansiosas, contraditórias, detalhistas, irônicas, sarcásticas.

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Olharam

Resmungos das Maléficas

Por Medo do Desconhecido (Trecho)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


Então isso era a felicidade. 
De início se sentiu vazia. 
Depois os olhos ficaram úmidos: era felicidade, mas como sou mortal, como o amor pelo mundo me transcende. O amor por essa vida mortal a assassinava docemente aos poucos. 
E o que é que se faz quando se fica feliz? 
Que faço da felicidade? 
Que faço dessa paz estranha e aguda que já está começando a me doer como uma angústia e como um grande silêncio? 
A quem dou minha felicidade que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta. 
Não, ela não queria ser feliz. 
Por medo de entrar num terreno desconhecido. 
Preferia a mediocridade de uma vida que ela conhecia. 
Depois procurou rir para disfarçar a terrível e fatal escolha. 
E pensou com falso ar de brincadeira: “Ser feliz? Deus dá nozes a quem não tem dentes.” 
Mas não conseguiu achar graça. 
Estava triste, pensativa.
Ia voltar para a morte diária.

Clarice Lispector in Aprendendo a Viver
Resmungado por C.

Publicada por Remungos das Maléficas à(s) 20:29  

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